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Giro de estoque no varejo: como calcular e qual número é bom

Quase toda loja sabe quanto vendeu no mês. Muito menos lojas sabem quantas vezes o estoque virou dinheiro nesse mesmo mês, e essa é a conta que explica por que o caixa aperta mesmo com a venda subindo.

Giro de estoque e cobertura em dias são dois lados do mesmo indicador. Este guia mostra como calcular os dois com os números que a sua loja já tem, qual faixa esperar por tipo de produto e o que fazer quando o número vem fora da faixa.

Resposta direta

Giro de estoque é o custo da mercadoria vendida no período dividido pelo estoque médio ao custo no mesmo período. Se a loja vendeu R$ 60 mil ao custo em um semestre e manteve R$ 20 mil de estoque médio, o giro foi 3 vezes no semestre, ou cobertura de 60 dias. O número bom não é um valor fixo: ele precisa ser maior que o prazo de reposição do fornecedor mais a margem de segurança, e menor que o ponto em que o produto encalha. Calcule por curva de produto, nunca só no total da loja.

Neste artigo você vai aprender

O que o giro mede de verdade

Giro de estoque mede quantas vezes, em um período, a loja repôs integralmente aquilo que mantém em prateleira. É um indicador de velocidade, não de volume. Duas lojas podem faturar o mesmo e ter giros muito diferentes, e a que gira mais rápido precisa de menos dinheiro parado para sustentar o mesmo faturamento.

Essa é a razão prática de olhar o indicador. Estoque é dinheiro em forma de mercadoria. Cada real parado em prateleira é um real que não está no caixa, não está pagando fornecedor e não está comprando o item que o cliente está pedindo. O giro traduz essa imobilização em uma medida comparável mês a mês.

Vale separar giro de margem desde o começo, porque são decisões diferentes. Margem diz quanto sobra em cada venda. Giro diz quantas vezes aquela sobra acontece no ano. Um item com 25% de margem que gira dez vezes rende muito mais caixa que um item com 60% de margem que gira uma vez e meia. Se você ainda não fechou o cálculo de margem da sua operação, vale rever como calcular margem de lucro no comércio antes de seguir, porque o giro usa o custo, não o preço de venda.

A fórmula e os números que você já tem

A fórmula é curta: giro igual a custo da mercadoria vendida no período dividido pelo estoque médio ao custo no mesmo período. O detalhe que mais estraga o cálculo é misturar as bases. Os dois termos precisam estar a custo. Se você coloca a venda a preço de venda em cima do estoque a custo, o número infla e deixa de significar qualquer coisa.

O custo da mercadoria vendida sai do relatório de vendas por produto com o custo cadastrado. O estoque médio é a média entre o estoque no primeiro dia e no último dia do período, ou, se o seu sistema permitir, a média dos saldos de cada mês, que é mais fiel em loja sazonal. Com doze meses de saldo, a média dos doze pontos elimina a distorção de fechar o período logo depois de uma compra grande.

Exemplo concreto. Uma loja de roupas fecha o semestre com R$ 94 mil de custo de mercadoria vendida. O estoque a custo era R$ 31 mil em janeiro e R$ 27 mil em junho, média de R$ 29 mil. Giro: 94 dividido por 29, igual a 3,24 vezes no semestre. Multiplicando por dois, cerca de 6,5 vezes ao ano. Esse é o ponto de partida, e o valor só ganha sentido quando comparado com os meses anteriores e com a faixa esperada do segmento.

Cobertura em dias, a leitura prática

Giro em vezes é um número abstrato para quem toca a loja. Cobertura em dias é a mesma informação em uma unidade que o dono usa para decidir compra: dias do período divididos pelo giro do período. No exemplo acima, 180 dias divididos por 3,24 dão 55 dias de cobertura. Ou seja, com o ritmo de venda daquele semestre, o estoque daria para 55 dias sem reposição.

A pergunta que a cobertura responde é a que importa na hora de comprar: esse estoque me segura até a próxima entrega? Se o fornecedor entrega em 20 dias e falha de vez em quando, 55 dias de cobertura é confortável. Se o mesmo item vem de importação com 90 dias de prazo, 55 dias de cobertura significa ruptura garantida antes da próxima remessa.

Na loja de roupas do exemplo, a gestora passou a imprimir cobertura em dias por grupo de produto no fim de cada mês. Camisaria básica estava com 110 dias, vestido de festa com 38. A leitura mudou a compra seguinte: cortou pedido de básico, antecipou pedido de festa, e o faturamento do trimestre seguinte subiu sem aumentar o valor total de estoque.

Tipo de produtoCobertura típicaSinal de alerta
Perecível de mercado3 a 10 diasAcima de 15 dias, risco de perda por validade
Mercearia e limpeza20 a 45 diasAcima de 70 dias, capital parado sem necessidade
Material escolar fora de temporada60 a 120 diasAcima de 180 dias, provisionar queima
Roupa de coleção corrente45 a 75 diasAcima de 100 dias, remarcar antes do fim da estação
Calçado de linha contínua60 a 90 diasAbaixo de 25 dias, risco de ruptura de numeração

Qual faixa esperar por tipo de produto

Não existe número bom universal, e desconfie de qualquer conteúdo que entregue um só valor para o varejo inteiro. A faixa razoável depende de três coisas: a perecibilidade do produto, a sazonalidade da demanda e o prazo de reposição do fornecedor. Perecível tem que girar rápido porque estraga. Item de coleção tem que girar dentro da estação porque depois perde preço. Item de linha contínua pode girar mais devagar sem prejuízo, desde que não passe do ponto em que o custo de carregar o estoque come a margem.

O caminho prático é montar a sua própria faixa com histórico. Pegue doze meses de dados, calcule a cobertura mês a mês por grupo de produto e observe em que patamar a loja opera quando não falta nada e não sobra nada. Esse patamar é a sua referência, e é mais útil que qualquer média de mercado, porque já embute o seu mix, a sua região e os seus fornecedores.

  • Use o custo, nunca o preço de venda, nos dois termos da fórmula.
  • Calcule por grupo de produto, e não só no consolidado da loja.
  • Compare a cobertura com o prazo real de entrega do fornecedor, não com o prometido.
  • Em loja sazonal, use a média dos saldos mensais em vez de dois pontos.
  • Registre a faixa normal da sua operação e trate desvio, não valor absoluto.

Por que calcular no total da loja engana

Giro consolidado é uma média, e média esconde o problema que você precisa ver. Uma loja com giro total saudável pode ter metade do estoque girando muito rápido e a outra metade praticamente imóvel. O número bonito no total é a soma de um acerto e de um erro, e o erro continua lá, consumindo caixa.

O exemplo clássico é a papelaria depois da temporada escolar. O consolidado fecha o ano em 5 giros, que parece aceitável. Quando se separa por grupo, aparece que presente e papelaria criativa giraram 9 vezes, enquanto mochila e lancheira de uma marca específica giraram 1,2 vez e ocupam 18% do valor do estoque. A decisão certa, remarcar aquele grupo e cortar a recompra, só fica visível na abertura.

Por isso o cálculo útil é por curva. Separe o estoque em A, B e C por valor movimentado e calcule a cobertura de cada faixa. Itens A merecem acompanhamento semanal. Itens C podem ser revisados a cada trimestre. Esse recorte é o mesmo que sustenta um inventário eficiente no varejo, e as duas rotinas se alimentam: o inventário garante que o saldo é real, e o giro diz o que fazer com ele.

O que fazer com giro baixo

Giro baixo quase nunca se resolve com promoção genérica. Antes de descontar, vale entender por que o item não sai, porque a resposta muda a ação. Compra em volume errado pede ajuste no pedido, não desconto. Produto mal exposto pede mudança de lugar na loja. Produto fora de sortimento pede saída do mix. Preço acima do mercado pede revisão de preço. Cadastro duplicado pede limpeza de base, porque o item gira e o relatório não mostra.

Na prática, comece por três verificações baratas. Primeiro, confira se o saldo do sistema bate com a prateleira, porque estoque fantasma derruba o giro calculado sem nada de errado na venda. Segundo, veja se o item tem concorrente interno, aquele produto parecido que absorve a demanda. Terceiro, olhe a última data de venda: item sem saída há 90 dias é decisão de descarte, não de exposição.

Quando a conclusão é remarcar, remarque com conta feita, não por desespero. O desconto que libera caixa e ainda cobre o custo é diferente do desconto que transforma estoque parado em prejuízo registrado. O raciocínio de liquidação sem perder margem se aplica inteiro aqui, inclusive a parte de definir o piso antes de anunciar.

O que fazer com giro alto demais

Giro alto parece sempre bom e não é. Quando a cobertura cai abaixo do prazo de reposição, a loja entra em ruptura recorrente: vende tudo, fica sem, perde venda, repõe, vende tudo de novo. O indicador fica ótimo e o faturamento fica abaixo do potencial, porque a venda perdida não aparece em relatório nenhum.

O sinal mais confiável de giro alto por falta é a frequência de ruptura em item de curva A. Se os cinco produtos que mais vendem na loja ficam zerados algumas vezes por mês, o problema não é venda forte, é compra apertada. Em mercado de bairro isso aparece em item de alta recorrência, como leite longa vida e pão de forma de uma marca específica: quem chega e não encontra muitas vezes compra o resto em outro lugar.

A correção é aumentar o ponto de pedido, não o estoque total. Calcule o consumo médio diário do item, multiplique pelo prazo real de entrega, some uma margem de segurança proporcional à variação da demanda e use esse valor como gatilho de compra. É um ajuste item a item, só nos que realmente faltam, e custa muito menos caixa que subir o estoque da loja inteira.

Dica de Ouro

Antes de confiar no giro calculado, rode uma contagem cega nos 20 itens de maior valor movimentado. Divergência de saldo é a causa mais comum de giro irreal, e é a única que não se resolve mexendo em compra nem em preço.

Quer calcular o giro da sua loja com os seus números?

Converse com o assistente do Roxinha e monte o cálculo de giro e cobertura por grupo de produto, com a faixa de referência da sua operação.

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Perguntas frequentes

Respostas curtas para as dúvidas mais comuns de quem toca a loja.

Qual é um bom giro de estoque para o varejo?

Não existe um valor único. A referência útil é a cobertura em dias comparada com o prazo real de reposição do fornecedor: ela precisa ser maior que esse prazo mais a margem de segurança e menor que o ponto em que o produto encalha. Perecível costuma operar entre 3 e 10 dias, mercearia entre 20 e 45, roupa de coleção entre 45 e 75.

Posso calcular o giro usando o preço de venda em vez do custo?

Não dá o mesmo resultado. Os dois termos da fórmula precisam estar na mesma base, e a base correta é o custo. Usar venda a preço de venda sobre estoque a custo infla o giro na proporção da sua margem e torna o número incomparável com qualquer referência.

Com que frequência devo calcular o giro?

Mensalmente no consolidado e por grupo de produto, com acompanhamento semanal apenas nos itens de curva A. Cálculo diário não ajuda porque o indicador depende de estoque médio, que só faz sentido em janela maior. Em loja sazonal, compare sempre com o mesmo mês do ano anterior, não com o mês anterior.

Giro alto é sempre sinal de boa gestão?

Não. Giro alto acompanhado de ruptura frequente em itens de curva A indica compra apertada, não venda forte. A loja perde venda que nunca aparece em relatório. O teste é simples: se os produtos que mais vendem zeram várias vezes por mês, o giro está alto por falta.

Estoque com saldo errado atrapalha o cálculo?

Atrapalha mais que qualquer outro fator. Saldo inflado derruba o giro calculado mesmo com venda normal, e saldo negativo faz o oposto. Antes de agir sobre um giro ruim, vale uma contagem nos itens de maior valor movimentado para confirmar que o número reflete a prateleira.

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